É um processo mecânico e artificial utilizado para limpar, do sangue, uma parte das impurezas acumuladas no organismo. Essas substâncias tóxicas são eliminadas por uma membrana filtrante do rim artificial que chamamos capilar.
Para realizar a hemodiálise são necessários o capilar e o conjunto de linhas, água tratada, solução de hemodiálise (banho), rim artificial (máquina) e a via de acesso, que pode ser uma fístula ou um cateter.
Normalmente são realizadas três sessões de hemodiálise por semana, cada qual com quatro horas, totalizando 12 horas semanais de terapia. Assim como acontece com o tratamento medicamentoso – em que as doses e os horários devem ser respeitados para que a terapia surta efeito, na hemodiálise também devemos respeitar horários e regularidade das sessões.
Faltas e diminuição no tempo do tratamento são extremamente prejudiciais para a eficácia do mesmo. Apesar das poucas horas que ocupa (12 por semana), a hemodiálise permite ao paciente uma vida relativamente tranquila.
Sabemos que a hemodiálise, e o tratamento como um todo, são adequados quando o paciente mantém-se:
• sem hipertensão (inferior a 150/90 mm/hg)
• sem edema e sem falta de ar
• sem grande aumento de peso entre uma hemodiálise e outra
• com o potássio normal (menos de 5)
• sem acidose (pH do sangue)
• com o fósforo normal (menos de 5)
• com anemia discreta e sem desnutrição
• com fístula funcionante ou cateter funcionante
Nossa equipe faz parte desse conjunto. Mas o sucesso da terapia depende muito da aderência do paciente ao tratamento.
Vias de acesso para a hemodiálise
A hemodiálise pode ser realizada com um cateter duplo lúmen (CDL) ou uma fístula arteriovenosa (FAV).
CDL
Nesta técnica, o cateter é inserido preferencialmente na veia jugular interna direita (veia do pescoço).
Cuidados com o CDL
• Evitar dormir sobre o CDL
• Evitar a manipulação do cateter, mantendo o fixo com fita adesiva
• Fazer proteção impermeável sobre o cateter durante o banho, evitando que molhe
• Manter o curativo limpo e seco, procurando a equipe de nefrologia em caso de anormalidade
• Caso ocorra dor, febre, sangramento, presença de secreção purulenta ou exteriorização do cateter, a equipe deve ser prontamente comunicada.
FAV
Nesta opção, é feita uma ligação (anastomose) cirúrgica entre uma artéria e uma veia do braço, para que seja aumentado o volume do sangue que passa no vaso, tornando-o volumoso e resistente (volume superior a 200 ml de sangue). Por vezes é possível visualizá-lo.
Cuidados com a FAV
• Não realizar coleta de sangue e verificação de pressão arterial no braço da fístula;
• Realizar exercícios de compressão manual, com a “bolinha”, após a realização da fístula, para acelerar a maturação do acesso;
• Evitar o uso de roupas apertadas, relógios e pulseiras apertadas no braço da fístula;
• Não dormir sobre o braço da fístula;
• Não carregar peso no braço da fístula;
• Verificar diariamente o funcionamento da fístula, através da palpação do frêmito;
• Procurar a equipe de nefrologia imediatamente no caso de qualquer anormalidade com a fístula;
• Proteger a fístula de traumatismos;
• Lavar o braço da fístula com água e anti-séptico na unidade de HD antes da punção;
• Retirar os curativos dos locais das punções após 4 a 6 horas do término da sessão;
• Em caso de sangramento, realizar curativo compressivo não-circular somente no local do sangramento;
• Na ocorrência de hematoma, realizar compressa fria no dia da HD, e compressa quente no dia seguinte.
Medicações mais utilizadas
• Anti-hipertensivos
• Calcitriol (vitamina D)
• Eritropoetina
• Ferro endovenoso
• Complexo B
• Ácido fólico
• Quelantes de fósforo
Independentemente do tipo e da quantidade de medicações, é preciso seguir corretamente os horários definidos pelo médico. Em caso de dúvidas, consulte sempre o médico ou a enfermeira de plantão.
A equipe e o paciente renal crônico
A equipe clínica é composta por médicos, enfermeiras e técnicas de enfermagem, nutricionista, psicóloga e assistente social, sendo considerados, por muitos como membros de uma só família. Cabe à equipe zelar pelo paciente durante todo o tratamento, criando um vínculo de confiança entre profissionais e paciente/família, contribuindo com todas as fases da terapia.
